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POR QUE É TÃO DIFÍCIL SER BEM ATENDIDO?

ALEXANDRA FABRI

Não sou daquelas que acreditam que o passado foi muito melhor que o presente e que estamos à beira do caos com o ritmo e modo como a vida tem tomado seu rumo.

Ao contrário, acredito que todas as épocas possuem seus pontos positivos e negativos e que estamos sempre em um processo de transformação constante.

Por mais idealista que seja essa afirmação acredito que como seres pensantes, há muito que aprender com os erros do passado e do presente para prepararmos melhor o nosso amanhã.

Mas uma coisa não posso deixar de salientar sobre o presente: a nossa irremediável pressa.

Temos pressa para tudo. O dia parece ter menos horas.

Fazemos quase tudo com a vontade de que termine logo para ver se realmente teremos tempo para outras tarefas.

E assim as nossas refeições são rápidas, nossas ações mecanizadas e nossas relações humanas superficiais e descartáveis. A qualidade do passado foi substituída pela quantidade do presente.

Diante desse contexto, as empresas buscam as mais variadas técnicas para atrair e fidelizar seus clientes quando o assunto é atendimento.

Clientes que são apressados, exigentes e bem informados.

Teoricamente isso não seria tão difícil, uma vez que nossos colaboradores também estão se atualizando.

Então fica no ar a seguinte dúvida. Se hoje temos tantas informações e técnicas de como atender melhor os clientes, por que está cada vez mais difícil ser bem atendido?

Aqui retomo à pressa.

Penso que nessa pressa infindável aprendemos a técnica e nos esquecemos de ser gente.

Esquecemos do olhar mais demorado no outro, de ter vontade e disposição para ouvir o que ele quer e ter o prazer em ajudá-lo.

Fazemos nosso trabalho, na maioria das vezes, de forma mecânica, com o corpo agindo, mas a cabeça pensando na próxima tarefa, no que vamos fazer para o jantar, ou se dará tempo de fazer as inúmeras ligações daquele dia.

Assim nossos relacionamentos vão se deteriorando, pois não há tempo para os amigos, para os filhos, para a família, para aquele que necessita e consequentemente isso é reproduzido quando nos relacionamos com o cliente.

Pois, por mais que inúmeros autores descrevam o cliente como um ser diferente, onde é preciso manuais e regras para satisfazê-lo, ele nada mais é do que uma pessoa igual a você que precisa de atenção, carinho e que sua necessidade seja atendida da melhor forma.

Portanto, acredito que nenhuma técnica substitui a maravilhosa arte de ser gente, e as pessoas e empresas que perceberem isso certamente se destacarão, saindo da mesmice das relações fragmentadas.

Alexandra Fabri é Consultora em Gestão de Pessoas/ Comportamento Humano 
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